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Causas, mecanismos e lesões na PBO

Paralisia braquial obstétrica: O que é e porque ocorre?

A PBO consiste na paralisia (diminuição do movimento) parcial ou total da do membro superior devido a um estiramento dos nervos do plexo braquial durante o parto (Figura 2). O estiramento dos nervos provoca a sua ruptura ou arrancamento na sua origem na medula espinal.
 

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Figura 2. Num parto difícil, o ombro do bebé encrava na pelvis materna (1.Pubis 2.Sacro). A manipulação do recém nascido estira os nervos do plexo braquial no pescoço, lesando-os. (3.nervos do plexo braquial).

 

AAnatomia do plexo braquial e tipos de paralisia

O plexo braquial é formado pela união dos nervos procedentes da medula espinal ao nível da coluna cervical. Os nervos conduzem os sinais eléctricos desde o cérebro ao músculo para controlar os movimentos e sensibilidade. O plexo braquial, após originar-se no pescoço, passa por debaixo da clavícula e distribui-se para os músculos do membro superior e para a pele (Figura 3).

 

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Figura 3. Os nervos do plexo braquial têm origem no pescoço e chegam o braço passando por debaixo da clavícula. 1. Coluna cervical 2.Clavícula 3.Nervos do plexo braquial.

 

  • A união de 5 raízes nervosas denominadas C5-C6-C7-C8 e T1 (C de cervical e T de torácica) forma o plexo braquial. A anatomia e função do plexo braquial é muito complexa, porém podemos simplifica-la. Quantas mais raízes se lesionem, mais movimentos estarão afectados no nascimento e pior será o pronóstico.
  • A união de C5 e C6 forma o tronco superior e este permite o movimento do ombro, a flexão do cotovelo e a supinação do antebraço (rodar a palma da mão para cima). A sua lesão origina a paralisia alta C5-C6 ou paralisia de Erb. O bebé não move o ombro, o cotovelo está em extensão e o antebraço em pronação (palma para baixo) (Figura 4).

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Figura 4. Na paralisia de Erb, o braço está pegado ao tórax, o cotovelo em extensão e a palma da mão rodada para baixo. O tronco superior está assim lesado

 

  • A raiz C7 forma o tronco médio e permite a extensão do cotovelo, punho e dedos da mão. Associa-se à lesão do tronco superior e origina a paralisia alta C5-C7 ou paralisia de Erb em extensão. O bebé também não estenderá o cotovelo e terá o punho caído (Figura 5).

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Figura 5. Na paralisia de Erb, não haverá extensão do cotovelo e o punho estará caído. Os troncos superior e médio estarão assim lesados.

 

  • A união de C8 e T1 forma o tronco inferior e permite a flexão do punho e dos dedos e realizar os movimento finos da mão. Associa-se à lesão de C5-C7 e denomina-se PBO Total. O membro estará totalmente flácido. É a lesão mais grave e de pior pronóstico  (Figura 6).

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Figura 6. Na paralisia total, todo o membro estará flácido dado que todos os músculos perderam a sua inervação. Todo o plexo braquial estará assim lesado.

 

Como é um nervo? O que ocorre quando se lesiona? Como se regenera?

O nervo é como um cabo e está formado por um revestimento (bainha) para a passagem dos fios de cobre (axónios) (Figura 7). O axónio conduz a eletricidade, originando-se no neurónio ao nível da medula espinal e conectando-o com o músculo, permitindo a sua contração. Cada raiz nervosa do plexo tem aproximadamente 10.000 axónios.

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Figura 7. O nervo é formado por revestimentos (1,3,4) por onde passam os axónios (2) que conduzirão o estímulo ao músculo para que se mova

 

Quando um nervo se rompe (ruptura), pode regenerar dependendo do grau de ruptura do seu revestimento. Quanto maior a interrupção da bainha nervosa, menor a capacidade de regeneração. Quando um nervo é arrancado da medula (avulsão), não tem capacidade de regeneração.

A regeneração nervosa (crescimento dos axónios dentro do seu revestimento) tem uma velocidade de 1 mm por dia. Por tanto, durante a regeneração, quanto mais longe está o músculo do pescoço, mais tempo teremos que esperar para que se re-inerve e volte a contrair. Por ordem, primeiro começará a mover-se o ombro, depois o cotovelo e finalmente a mão.
 

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